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Filha de empresários e presidente de cooperativa morreram em garimpo de MT quando apagavam código de rastreio de dinamites, diz polícia

Daniella Trajano Dalff e Mario Lucier Caldeira morreram em explosão de garimpo em MT — Foto: Reprodução Os códigos são obrigatórios e servem para rastrear a carga desde a origem até o destino final do material, de uso controlado pelo Exército.

O delegado Victor Hugo Caetano Freitas, da Polícia Civil, disse que as vítimas manuseavam um solvente inflamável para apagar os códigos de rastreio dos explosivos, com a finalidade de comercialização no mercado ilegal. Assista ao vídeo abaixo.
"A polícia conseguiu apurar até então que todos os envolvidos, inclusive as duas vítimas, faziam parte de um esquema criminoso de desvio clandestino de emulsões e outros componentes explosivos", disse.
Daniella Trajano trabalhava na empresa dos pais, que fornecia explosivos na região. Ela e Mario Lucie Caldeira fariam parte de um esquema de desvio das cargas de dinamite no estado.

Os códigos são obrigatórios em todo material explosivo e servem para rastrear a carga desde a origem até o destino final do material, que tem o uso controlado pelo Exército Brasileiro.

A investigação já apurou que a supressão dos códigos foi feita para evitar que o material fosse rastreado e pudesse, assim, ser vendido no mercado clandestino.

As cargas de dinamite não deveriam estar em Guarantã, foram movimentadas clandestinamente. O rastreio desse tipo de carga tem uma rota traçada e não pode ser desviada.

Relatórios do Exército Brasileiro sobre o rastreio do material explosivo e o da Gerência de Operações Especiais (GOE), da Polícia Civil, sobre a detonação da dinamite e dos cordéis, serão anexados ao inquérito policial e vão subsidiar a investigação.

Apreensão de material e investigação

Na próxima semana, o delegado deve ouvir o proprietário da empresa que comercializou o material explosivo e uma das pessoas que estava presente no local no momento da explosão.

Já foram ouvidos trabalhadores que estavam no local e apurada a informação de que os explosivos apreendidos tinham outro destino e estavam no garimpo clandestinamente.

No garimpo, foram apreendidos pela Polícia Civil 300 quilos de emulsão de dinamite e mais de mil metros de cordel detonante.

O que provocou a explosão

O atrito entre o solvente e o cordel ocasionou a explosão, contudo, essas informações serão confirmadas com o laudo da Perícia Oficial do Estado.

Duas ou três bananas de dinamite também explodiram e as pessoas que estavam mais próximas do material foram atingidas.

O cordel é flexível, com um núcleo de material explosivo, e pode ser utilizado para iniciar explosivos como reforçadores, encartuchados e bombeados e como linha mestra para iniciar detonadores não elétricos.

A polícia ainda está reunindo informações e laudos técnicos para esclarecer as causas da explosão e as responsabilidades sobre o incidente e o material explosivo encontrado no local.

Detonação

Uma equipe da Divisão Antibombas da polícia foi a Guarantã do Norte no dia seguinte, após a explosão no garimpo, para fazer a detonação do material apreendido pelas equipes policiais.

Policiais detonam explosivos em garimpo em MT

Após levantamento do material e de procedimentos de segurança para que as equipes policiais pudessem dar continuidade às diligências investigativas no garimpo, a equipe da GOE fez a detonação, com segurança, dos 300 kg das emulsões de dinamite e dos cordéis, em uma área na região rural de Guarantã do Norte.

Fonte: https://g1.globo.com

 

 

'O coronel que raptava infâncias': Matheus de Moura lança livro sobre PM abusador de crianças na Ponte

 Obra do jornalista foi lançada pela editora Intrínseca e narra o passado obscuro de Pedro Chivarry, coronel da PM do Rio de Janeiro responsável por uma rede criminosa de abuso sexual de crianças preso em 2016

Quando ainda era estudante de jornalismo em 2016, Matheus de Moura se deparou com o caso chocante que mudaria o rumo da sua vida pessoal e profissional: o flagrante do coronel reformado da Polícia Militar Pedro Chavarry Duarte, que estava dentro de um carro com uma criança, nua, de apenas dois anos. O episódio, que aconteceu em um posto de gasolina em Ramos, na zona norte da cidade do Rio de Janeiro, ganhou as manchetes dos jornais junto com um vídeo que mostrava Chavarry tentando subornar policiais para não ser preso.

Na época, mesmo vivendo em Santa Catarina, Matheus de Moura decidiu investigar o passado do PM ao acompanhar a repercussão do caso. Cinco anos depois de uma intensa e profunda apuração, que o fez se mudar para o Rio de Janeiro, o jornalista conta todos os capítulos desta história no seu primeiro livro, O coronel que raptava infâncias, lançado oficialmente pela editora Intrínseca na Academia de Literatura das Ruas da última quarta-feira (18/8). A live conduzida pela editora de relacionamento Jessica Santos foi transmitida no canal da Ponte. Foram sorteados quatro exemplares da obra aos membros do Tamo Junto.

“Eu olhei aquele cara da polícia militar tentando subornar com tanta facilidade, como quem parece que faz aquilo muitas vezes, e pensei que esse é um comportamento repetido, sistemático e provavelmente tem o lastro de anos. Fiquei aficionado nessa ideia de que por trás daquela ação tinha uma história muito maior”, lembra o jornalista do dia que assistiu o vídeo do coronel em uma reportagem do Fantástico.

Hoje, Matheus de Moura é mestrando em sociologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e colabora para veículos como a Ponte, o The Intercept Brasil e o UOL escrevendo sobre direitos humanos, segurança pública e crime organizado.

Desvendando o passado de Chavarry

O caso de 2016 não foi o primeiro flagrante envolvendo Pedro Chavarry. Já na década de 1980, o coronel foi preso após a polícia encontrar um bebê de três meses abandonado em situação precária dentro de uma casa que pertencia a ele em Bangu. “O chefe da associação de moradores já observava que ele sempre parava o carro lá, deixava uma mala e voltava. Toda semana tinha esse momento”, explica Matheus sobre a desconfiança dos moradores do bairro que chamaram a polícia.

Naquele local, foram encontrados indícios de que pelo menos outras quatro crianças haviam sido alvos de Chavarry. “Ele mentia que existia uma creche, em nome da Polícia Militar, e que ele cuidava destas crianças. Só que era balela, não tinha nada. Era um homem que no máximo tinha uma ajuda de uma senhora bem idosa de vez em quando, mas que tinha comprimidos de calmante para adulto nas coisas das crianças, uma câmera cujo filme estava destruído, e que ninguém sabia para que servia”, detalha Matheus sobre o que foi encontrado na casa.

No entanto, mesmo acusado de abandono e maus tratos, o coronel ficou preso por uma noite e foi absolvido em segunda instância, mantendo as funções dentro da PM. Segundo o jornalista, Chavarry voltou aos noticiários quando foi denunciado por receber propina do jogo do bicho junto com outros policiais. A partir de 2010, o coronel volta a aparecer na cena política, construindo “uma imagem de que ele é um homem de Deus, um homem do bem” e se torna presidente da Caixa Beneficente da PM do Rio de Janeiro, que assegura benefícios e serviços à policiais militares.

“Quando ele é pego em 2016, o policial Batista, que o prendeu, recebe uma ligação de um amigo de outro batalhão falando: ‘você prendeu o Chavarry, cara? Chavarry a gente não prende, a gente mantém solto’”, conta Matheus sobre o reconhecimento e a impunidade em torno da figura do coronel que era responsável por uma rede criminosa de abuso sexual de crianças.

Exploração sexual de crianças

Nos últimos anos, ao se mudar para Niterói, Matheus de Moura percorreu diversos pontos do Rio de Janeiro para falar com as vítimas, os familiares e encontrar documentos sobre o histórico de Pedro Chavarry. O jornalista diz que muitas mães relataram que se sentem culpadas pelo que aconteceu com seus filhos. Grande parte das crianças vítimas dos abusos moravam em favelas e eram de famílias humildes, em situação de vulnerabilidade.

Na obra, Matheus traz também a entrevista de um parente do coronel que contou mais detalhes de como era o convívio dele com a família. A narração também abre o debate para diferenças acerca de pedofilia e exploração sexual. Ele destaca que Chavarry atuava como explorador sexual. “São pessoas que constroem a vida para poder exercer poder e poder sexual”, ressalta. Ao mesmo tempo, a imagem do coronel era relacionada aos programas de assistência social que ele liderava.

Matheus avalia que os casos de abuso sexual envolvendo crianças causam mais comoção e indignação atualmente. “Hoje a gente presta atenção na infância como algo a ser protegido e isso é bom, mas ainda não se reflete totalmente em crianças que vivem na rua, pois aí não é mais criança, é o ‘de menor’, uma forma de tipificar criminalmente uma criança que está na rua”, ressalva.

Na visão do jornalista, a cobertura da imprensa comete erros nos casos de abusos sexuais de crianças ao confundir o crime com pedofilia, que é uma doença pela qual as pessoas precisam buscar tratamento. “São duas coisas diferentes. Enquanto a gente continuar tratando doença como crime, a gente não vai conseguir avançar na discussão”, aponta. Segundo ele, o próprio Ministério Público evita acusações usando o termo pedofilia.

Em 2017, o coronel da PM foi condenado a 11 anos de reclusão por estupro de vulnerável e corrupção ativa e dois anos mais tarde foi preso. Atualmente, Chavarry segue fazendo parte da corporação mesmo detido no Batalhão Prisional da PM, em Niterói, e recebe salário.

Fonte: https://ponte.org

PMs se passam por Policiais Civis para extorquir vendedor que guardava dinheiro para tratamento de saúde de bebê

 Dois policiais militares e um comerciante exigiram o pagamento de R$50 mil de um homem sob a ameaça de o prenderem. O caso aconteceu em Mogi das Cruzes (SP) e os policiais foram encaminhados ao Presídio Militar Romão Gomes

Nesta quinta-feira (12/8) os policiais militares Alexandre Rodrigues Caldas e Leonardo Tavares de Oliveira da 2ª Companhia do 44º Batalhão da Polícia Militar do Interior (BPM/I) e o comerciante Phelipe Cordoni Coutinho foram indiciados por passarem-se por policiais civis para extorquir um vendedor de 27 anos, que diz que guardava dinheiro para pagar o tratamento de saúde de sua irmã, uma bebê recém nascida que encontra-se internada em hospital. 

Segundo o boletim de ocorrência assinado pelo delegado Júlio Vaz Ferreira Neto do 4º DP de Mogi das Cruzes (SP), os PMs estavam utilizando uma suposta viatura descaracterizada, quando teriam abordado um homem em sua residência pela manhã, alegando que teriam um mandado de busca e apreensão para o local. Sob a promessa de não o prenderem, os supostos policiais exigiram a quantia de R$50 mil, que deveriam ser pagos em parcelas de R$10 mil por semana. 


Segundo o depoimento da vítima, os supostos policiais já teriam pegado a quantia de R$10.500 que estava em sua casa, e passaram a exigir o pagamento de outros R$10 mil às 18h, que deveriam ser entregues na porta de sua residência. A vítima então teria se comunicado com policiais do 4º DP durante o dia onde apresentou “prints” das conversas mantidas com um dos supostos policiais durante o momento de extorsão. 

Foi então que no final do dia, o policial civil Márcio Donizeti de Carvalho e outros que estavam no apoio se dirigiram à rua da casa da vítima com viaturas descaracterizadas, aguardando a chegada dos supostos policiais. Às 18h o carro de mesmas características apontadas pela vítima estacionou de frente a sua casa e os policiais civis Álvaro Nicodemus Sanvido e Marcio realizaram abordagem do veículo dos policiais militares. 

Os PMs estavam armados e dentro do carro foram encontrados dois aparelhos de telefone celular e a quantia em dinheiro de R$11.200, bem como um distintivo com as inscrições da Polícia Civil no bolso de Phelipe. A vítima, que acompanhou a abordagem, reconheceu os três homens no veículo como sendo os mesmos que teriam o abordado pela manhã. 

Procurada, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) disse que dois policiais militares, de 26 e 47 anos, e um comerciante, de 27, foram presos por extorsão contra um vendedor de 27 anos nesta quinta-feira (12), em Mogi das Cruzes. “Agentes do Setor de Investigações Gerais (SIG) apreenderam duas armas, um distintivo falso e mais de R$ 11 mil com o trio.  O caso foi registrado como extorsão. A Corregedoria da Polícia Militar foi acionada e irá apurar administrativamente a conduta dos PMs envolvidos na ocorrência. Os policiais foram encaminhados ao Presídio Militar Romão Gomes”. A Ponte procurou a defesa dos PMs, mas nãoi teve resposta até a publicação deste texto.

Fonte: https://ponte.org/

Policial civil investigada por perseguir ex-namorado é presa preventivamente

Rafaela Motta é suspeita de ameaçar e praticar stalking contra ex-companheiros -  (crédito: Reprodução/Redes sociais) Rafaela Motta foi detida por falsidade ideológica e coação, nesta sexta-feira (6/8). No início da semana, ela havia sido detida e liberada, após tentar impedir o depoimento da vítima, no prédio do Departamento de Polícia Especializada (DPE)

Integrantes da Corregedoria da Polícia Civil do Distrito Federal prenderam preventivamente, na noite desta sexta-feira (6/8), a agente da instituição Rafaela Motta, por falsidade ideológica e coação.

Ela havia sido detida e liberada, na terça-feira (3/8), após invadir o prédio do Departamento de Polícia Especializada (DPE) durante o depoimento de um ex-namorado. Rafaela é investigada por stalking — perseguição — contra o ex-companheiro, que teria sofrido ameaças de morte.

No início desta semana, a acusada assinou um termo circunstanciado e foi liberada. No entanto, a polícia pediu pela prisão, por considerar que ela coloca em risco o andamento das investigações. A vítima prestava depoimento na tarde da última terça-feira (3/8), no prédio da Corregedoria, quando a policial invadiu o local e começou uma briga.

Rafaela Motta também é professora de português e palestrante. Ela tem uma conta no YouTube e um perfil no Instagram com mais de 26 mil seguidores. Após a repercussão do caso, ela deletou a conta na rede social.

Denúncia do MPDFT

Em 2018, a policial ameaçou um homem com quem namorava, segundo denúncia apresentada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). A vítima relatou que conheceu a agente por meio de um aplicativo de relacionamento. Após desentendimentos entre o casal, o companheiro quis romper a relação, mas ela não aceitava o término e ligava insistentemente para ele.

Em 10 de março daquele ano, a agente esteve no endereço dele, onde ficou por várias horas e só saiu depois de a vítima aparecer e dizer que os dois poderiam se encontrar no dia seguinte. "Nos encontros seguintes e (após) contatos telefônicos, o ofendido insistiu em terminar o relacionamento com a imputada, mas ela não concordou, passou a procurá-lo e a ligar insistentemente para ele, inclusive em seu local de trabalho (Banco do Brasil), gerando-lhe desgastes e transtornos", diz um dos trechos do documento.

Em uma das ocasiões, a policial o ameaçou e disse que ele "estava mexendo com fogo, que faria vexame no trabalho dele para fazê-lo perder o emprego e, ainda, a fim de amedrontá-lo, insinuou que também faria mal aos familiares dele, dizendo que, se contasse alguma coisa, seria pior, que tudo voltaria em dobro para ele e sua família".

Ela foi condenada pela Justiça nesse processo e recebeu pena de restrição de direitos, podendo responder em liberdade. A reportagem tentou contato com a agente, mas não teve retorno até a última atualização deste texto. O espaço permanece disponível para manifestação. 

Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br

Estado deve indenizar mãe e esposa de preso que foi decapitado em rebelião na PEC de Cascavel

 No dia 09 de novembro de 2017, em uma rebelião que aconteceu na Penitenciária Estadual de Cascavel, um dos detentos foi morto e decapitado pelos outros presos.

A mãe e a viúva do preso juntamente com o procurador de defesa, ajuizaram uma ação contra o Estado do Paraná, pedindo indenização por danos morais pela morte brutal do familiar.

Na época, a defesa das mulheres alegou que elas estariam com dificuldades para a realização do velório e sepultamento. Segundo a defesa, os agentes penitenciários apenas teriam encontrado a cabeça e o fêmur do homem, e a família apenas conseguiu a liberação da cabeça após 11 dias.

Com relação ao fêmur amputado, a defesa alegou que na época o IML não pôde liberar sob a justificativa da necessidade de exame de compatibilidade genética (DNA), para confirmação de que o membro era mesmo do ex-detento. O fêmur teria sido liberado depois de 11 meses.

O advogado das mulheres fundamentou que o Estado estaria se negando, sem justificativa, a entregar o fêmur para os devidos procedimentos fúnebres. Ele ressaltou que toda a morosidade no resultado do exame e a recusa injustificada, teriam agravado a dor e o sofrimento que as mulheres sofreram com a morte do homem.

Segundo o advogado, a ação do Estado feriria o direito da personalidade e teria causado danos morais. Por conta disso pleiteou que mãe e viúva fossem indenizadas no valor de R$250.000,00 (duzentos e cinquenta mil reais) para cada uma, considerando todo abalo de ordem moral vivenciado.

O procurador de defesa do Estado do Paraná apresentou contestação, sustentando que o preso falecido faria parte da facção criminosa conhecida como Máfia Paranaense (MP) e que a rivalidade entre facções é que teria motivado o motim. Segundo o advogado, o homicídio estaria sendo investigado pela Delegacia de Homicídios de Cascavel e suspeita que os restos mortais não foram localizados porque a vítima teria sido queimada durante a rebelião.

A defesa do Estado esclareceu ainda que a demora do resultado do exame de DNA para identificar os restos mortais, teria sido causada pela grande demanda que supera a capacidade produtiva do laboratório, tendo o caso entrado na fila de espera, no entanto procedeu-se a análise em regime de urgência, com elevada prioridade.

Depois de identificado, o IML teria contatado um familiar informando que o resto ósseo poderia ser retirado, mas foi informado pelo IML de Curitiba que nenhum familiar teria realizado a solicitação formal, segundo os procedimentos de praxe.

O procurador fundamentou ainda que em momento algum os agentes que atuaram no caso foram levianos, imprudentes, negligentes ou imperitos com a situação, pelo contrário, apenas agiram conforme o procedimento padrão determinado, dentro das condições e limitações que detinham.

O juiz, Eduardo Villa Coimbra Campos, da Vara da Fazenda Pública de Cascavel, avaliou os autos dos processo e entendeu que foi possível verificar que a morosidade na prestação do serviço pelo Estado do Paraná, contribuiu de forma incontestável para o agravamento da angústia e sofrimento vivenciado
pela viúva e mãe do detento.

O magistrado ressaltou que entre a data do óbito (09/11/2017) e a realização do exame (02/07/2018) transcorreram mais de sete meses, bem como que até o dia 01/11/2018, não teria sido promovida a liberação do fêmur à família, o que foi possível verificar a veracidade já que o Estado não teria apresentado documentos que comprovassem o contrário.

Em sua fundamentação, o juiz evidenciou que os familiares somente puderam realizar o sepultamento definitivo em 07/11/2018, após cerca de um ano da morte do homem, fato que evidencia e confirma descaso e negligência do Estado em adotar medidas mais céleres e eficazes para a apuração da compatibilidade genética do resquício corporal do preso.

O juiz pontuou ainda que além de não ter comprovado o excesso de demanda em comparação com a capacidade do laboratório, o Estado também não demonstrou que teriam sido realizadas as tentativas de contato telefônico para informar o resultado laudo do exame em questão.

Por todo o exposto, o juiz reconheceu a culpa do Estado do Paraná pela demora em liberar a única parte restante do cadáver, considerando o dano moral seria evidente, uma vez que as autoras foram privadas de realizar o sepultamento digno de seu filho, pai e companheiro por quase um ano após a morte.

“Desse modo, é inexorável que a conduta omissiva do ente estatal violou suas respectivas dignidades e, por consequência, seus direitos da personalidade, eis que, mesmo enlutadas, foram compelidas a aguardar tempo excessivo e injustificado para se despedirem de um ente querido conforme suas crenças pessoais e religiosas”, pontuou.

Apesar de entender procedente o pedido de danos morais, o magistrado considerou improcedente o valor pleiteado pela defesa das mulheres. Para definir o valor que deve ser pago pelo Estado, ele argumentou que o juiz levar em conta critérios de proporcionalidade e razoabilidade, observando as condições do ofensor, do ofendido e do bem jurídico lesado.

Desta forma, em decisão publicada no dia 28 de julho, o magistrado condenou o Estado do Paraná a indenizar a mãe e a viúva do detento no valor de R$ 8.000,00 (oito mil reais) para cada uma.

Por ser de primeira instância, a defesa das mulheres ainda poderá recorrer da decisão.

Fonte: https://cgn.inf.br

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