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Maior informante da PM contra o PCC conta em vídeo medo de morrer na prisão

2 O preso Marcos Massari, 52, o Tao, o principal colaborador e informante da Polícia Militar nas ações contra o PCC (Primeiro Comando da Capital) em 2001 e 2002, fez à Justiça um relato dramático sobre as ameaças sofridas na prisão nos últimos 20 anos.

As revelações desesperadoras foram feitas por Massari ao juiz Moisés Harley Alves Coutinho, da 2ª Vara Criminal da Comarca de Tupi Paulista, em 31 de agosto de 2020, durante videoconferência em um processo de denunciação caluniosa. A reportagem teve acesso exclusivo às gravações.

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Também participaram da audiência o promotor de Justiça Cláudio Santos Machado e o advogado do preso, João Francisco Ribeiro. Massari acabou condenado a dois anos de prisão por denunciar falsamente que havia sido torturado por funcionários da Penitenciária de Tupi Paulista.

O preso conta ao juiz que é obrigado a ficar no "seguro", ou seja, no isolamento, para não ser morto pelos rivais por ter colaborado com a PM nas ações contra o PCC. Ele alega que fez a denunciação caluniosa contra os funcionários do presídio para conseguir transferência para outra unidade.

Ele relata ainda que sua cabeça é considerada um "troféu", que a maior facção criminosa do país quer matá-lo de qualquer jeito e que a colaboração que prestou à Polícia Militar e à Justiça deixou saldo de ao menos 20 integrantes do PCC mortos.

O promotor Cláudio dos Santos Machado indaga a Marcos Massari na audiência para qual presídio ele gostaria de ser transferido. Com a voz embargada, o preso responde que está desesperado e que não há uma prisão segura para ele por causa da sua condição de informante.

Infiltrado no PCC

O prisioneiro é o maior arquivo vivo e testemunha ocular da Operação Castelinho, ocorrida na região de Sorocaba (SP) em 5 de março de 2002, quando 54 PMs da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), do Comando de Choque e de outros batalhões mataram 12 integrantes do PCC.

A serviço do Gradi (Grupo de Repressão e Análise aos Delitos de Intolerância), criado em 2000 pela Secretaria Estadual da Segurança Pública, Massari foi retirado da prisão por policiais militares para convencer o bando a roubar em Sorocaba um avião pagador que jamais existiu.

Além de Massari, o preso Gilmar Leite Siqueira também foi retirado do presídio e infiltrado junto aos ladrões. No pedágio da Rodovia Senador José Ermírio de Moraes - a Castelinho -, os 12 homens foram emboscados e mortos pelos policiais militares coordenados por oficiais do Gradi.

Massari ficou na cabine do pedágio e assistiu à matança de camarote. Ele chegou a dizer em juízo que os assaltantes não trocaram tiros com os PMs porque usaram armas com balas de festim arranjadas pelos próprios policiais do Gradi, também infiltrados com os criminosos.

Câmeras de segurança da rodovia e das cabines de pedágio registraram a operação. As fitas, entretanto, foram levadas por policiais militares, segundo relatos de funcionários da concessionária responsável pela rodovia Castelinho.

Para o Ministério Público Estadual, a operação do Gradi foi a farsa mais macabra da história da Polícia Militar. Para a Justiça, os PMs agiram no estrito cumprimento do dever e a ação penal contra os policiais foi improcedente. Pouco tempo depois da Castelinho, o grupo foi extinto.

Cabeça a prêmio

Em abril de 2002, o então major Roberto Mantovan, coordenador do Gradi, enviou ofício à Coordenadoria das Unidades Prisionais de São Paulo propondo benefícios para amenizar a pena de Massari em razão dos serviços por ele prestados à Polícia Militar.

Mas isso nunca aconteceu. Nesses quase 20 anos após a Operação Castelinho, Massari está com a cabeça a prêmio por ter ajudado a Polícia Militar nas ações contra o PCC. Em todas as prisões por onde passa, o preso é ameaçado de morte e tenta fugir de qualquer maneira.

Em agosto de 2004, Marcos Massari e o parceiro Gilmar Leite Siqueira escaparam armados e pela porta da frente da Penitenciária de Itaí (SP). Antes de fugir, eles algemaram um diretor do presídio. Massari foi recapturado em Santos em 2008.

O advogado João Francisco Ribeiro diz que há cinco anos vem tentando ajudar seu cliente e também a família dele. Segundo o defensor, um juiz e policiais militares foram promovidos graças à colaboração de Massari e o preso é o único prejudicado há quase 20 anos.

Fonte: https://noticias.uol.com.br

 

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